Pra não dizer que não falei de flores: Uma reflexão sobre a Graça de Deus

* Por Dr. Antonio Máspoli

No Novo Testamento, temos duas palavras para graça: “dom” e “káris”. Nos dois casos, o sentido é o mesmo: presente. A teologia calvinista define graça como um favor imerecido de Deus. A graça de Deus é o presente de Deus para o seu povo. E tal presente é Jesus Cristo e tudo o que sua pessoa e sua obra representam. Dizendo de outro modo, é o trabalho de Deus pelo seu povo: “Porque antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera” (Is. 64: 4). A graça é tudo aquilo que Deus já realizou tudo o que esta fazendo, e tudo o que ele ainda fará pelo seu povo. A graça, portanto, é tudo que Deus faz por você!.

A graça pode ser compreendida de duas maneiras. A graça comum manifestada pela revelação natural e que alcança a todos os homens, conforme ensinou Jesus Cristo no Sermão do Monte: “Para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos” (Mt. 5: 45). E a graça especial, aquela conhecida por todos aqueles que se tornaram filhos de Deus por meio de Cristo Jesus (Ef. 2: 1-10 e 1 Jo. 5: 1-5). A salvação é de graça! O perdão é gratuito. A santificação é um presente de Deus.

Deus utiliza-se da graça comum por meio da natureza, de todos os elementos do cosmo, de todos os homens: médicos, curandeiros, psicólogos, xamãs, conselheiros, pastores etc. Já a graça especial de Deus é aquela que opera pelo Espírito Santo no coração do filho de Deus, conforme Ef. 2:1. A graça comum e especial de Deus cobre todos os pecados, todas as enfermidades, todos os problemas humanos e opera em todos os homens e mulheres, em todas as circunstâncias e situações da vida: depressão, angústia, medo, síndrome do pânico, tendências suicidas, perdas etc. (Rm. oito: 26-30).

Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos. Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. A maior expressão graça de Deus é o amor.

A Bíblia diz em Rom, 8: 38-39: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”. O amor incondicional de Deus consiste no fundamento para o acolhimento da pessoa humana. “Deus é amor” (1 Jo. 4: 12). Deus ama porque é da sua natureza amar. Seu amor é eterno (Jr 31), imutável (8: 38-39) e incondicional (Is. 49: 1) e sacrificial (Jo. 3: 16). Deus ama o cristão saudável e o doente. Ama aquele que se encontra em bom estado de saúde e ama especialmente o aquele que sofre. Deus compreende o coração humano e as fraquezas humanas melhor do que ninguém. Ao longo da história da salvação seus filhos mais queridos sofreram, fraquejaram, adoeceram… Basta ler as histórias de Davi, Jeremias, Daniel, Jonas, Ezequiel, Elias etc. Não desanime na sua fragilidade humana você não esta só!

* Bacharel Em Psicologia pela Faculdade de Biologia e Psicologia Maria Theresa (1988); Licenciatura Plena Em Psicologia pelo Instituto de Ciência e Tecnologia; Faculdades Maria Thereza (1987); Bacharel Em Teologia – Seminário Presbiteriano do Sul (1981; Bacharel em Filosofia Pela UERJ, Universidade do Estdo do Rio de janeiro (Incompleto) Mestre em Psicologia (Psicologia Social) pela Universidade Gama Filho (1995) e Doutor Cências Sociais e Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (1999). Pós Doutor em História das Idéias Pelo Instituto de Estudos Avançados da USP foi orientado pelo Dr. Carlos Guilherme Mota, (2003). Atualmente é professor titular do Programa de Pós Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, pesquisador visitante do Laboratório de Psicologia Social: Estudos de Religião da Universidade de São Paulo; Coordenador do Laboratório de Psicologia Social da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Professor Visitante da FATHEL em Campo Grande, MS.

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